segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O final de semana do Juvenal



A agitação começou logo na sexta-feira (13), dia marcado pelo veterinário para a primeira dose da vacina. Como ele veio da rua já grandinho, resolvi dar todas as vacinas de novo por imaginar que ele, provavelmente, não estaria com as doses em dia. Cheguei para buscá-lo por volta das 15h e, para minha surpresa, ele foi me receber no caro, todo feliz e abanando o toquinho de rabo que tem. Chorei de emoção ao vê-lo! Era a primeira vez que o via caminhar e principalmente abanar o rabo, que desde que ele chegou estava como se ele estivesse com medo, com o rabinho entre as pernas. Era um sinal de que, de alguma forma, eu havia ganhado a confiança dele.

O caminho até o veterinário foi longo. Não havia jeito de ele ir deitado na caminha: ele queria ir no meu colo! E assim foi feito! Chegamos ao veterinário, ele no meu colo, e ficamos esperando a consulta. O veterinário está atendendo em uma casa de ração, e não preciso nem dizer que ele foi a sensação do lugar! Todo mundo parava e pergunta: “nossa, o que aconteceu com ele?” ou “esse é o Juvenal, não é? Aquele cãozinho que saiu no O Jornal?” O Juju ficou famoso! Recebi o carinho de todos ali e pude ver a indignação das pessoas com o fato. E ele lá no meu colo, todo manhoso!

Ele chorou como meus outros cachorros quando tomou a injeção. O veterinário disse que ele está bem melhor, com as queimaduras já secando. Só precisa comer um pouquinho mais, mas isso está difícil. Só bifinho de fígado e olhe lá, às vezes nem isso ele come. Aceito sugestões, viu! Faço qualquer coisa pra ele comer melhor!

Bom, no sábado (14), dei os remédios e fiquei com eles um pouquinho lá fora. Por volta do meio-dia entrei e fui descansar. Lá pelas 15h, o Paulo Sérgio foi lá fora e, para nossa surpresa, cadê o Juvenal? Pensei: “pronto, fugiu! É isso que dá criar cachorro já adulto no sítio! Ele foi embora, nos abandonou! Justo nós que tanto amor e carinho demos a ele!” Ficamos muito tristes.

Depois de umas 3 horas, eis que surge, debaixo do carro e com a maior cara de sono, o Juvenal! Resolveu esticar as perninhas e tirar um cochilo em um lugar diferente e nos deixou nessa preocupação toda!!!

Fizemos a maior festa quando ele voltou! No domingo (15), ele “sumiu” de novo, mas agora já sabemos seu paradeiro! Ele está a cada dia mais esperto!!! Vida longa ao Juvenal!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O dia do Juvenal – parte I



Ontem (10/01), fiz um post sobre o Juvenal que muita gente gostou e comentou. Teve uma amiga, a Maria Alice Magioni Mariotto, que até disse para eu fazer um diário dele, mas como sou meio desligada, disse que faria aos poucos, sem muuuuito compromisso. Mas as coisas que aconteceram ontem merecem um post!

Eu estava angustiada por ele não ter comido. Já fazia dois dias que ele não comia e nem bebia. Cheguei por volta das 18h disposta a fazê-lo comer! Pensei no leite, que sustenta.

Esquentei meio copinho americano e ofereci à ele, que logo foi bebendo. Nossa, foi uma sensação muito boa vê-lo se alimentar. Daí pensei num pãozinho molhado no leite (quase todo mundo adora!), e lá fui. Para minha surpresa, ele comeu quase um pão inteiro! Era uma vitória!!!

Postei no Face que ele tinha comido, e teve uma amiga que comentou uma coisa que não saiu da minha cabeça, algo tipo assim: “pode dar uma diarreiazinha (...) mas ta valendo, comeu alguma coisa.”

Eu sei por mim mesma que leite dá um certo “revertério”, mas minha felicidade por ele ter comido era tanta quem nem me preocupei com isso.
Como choveu e fez um friozinho, colocamos ele para dormir na cozinha. Quente e confortável em sua caminha nova! Dormiu a noite toda, nem chorou. Parou até de tremer, algo que, além do medo, associei à fome.

Acordei pela manhã e fui vê-lo, e eis que vejo, na cozinha, um cenário de guerra... Realmente deu um “pequeno” revertério no pobre menino... Tadinho!

Fiquei assustada, mas não pela sujeira em si: fiquei com medo de ter piorado o quadro dele.  Tirei-o de lá, lavei tudo e esperei dar um horário de “gente” para ligar para o veterinário, o Henrique Junji Matsuda, que confirmou que o leite dá esses probleminhas e logo me ensinou a fazer uma papinha com fígado e beterraba, para depois misturar com ração para ele se acostumar a comer. Ufa, fiquei aliviada!

Fui trabalhar e o Paulo Sérgio, meu namorado, chegou em casa antes de mim. Na hora ele me ligou dizendo que ele estava solto, andando pela grama. Isso porque fizemos um cercadinho com madeira de uns 40 cm e colocamos uma pequena grade, totalizando quase 1 metro! Ele conseguiu passar pela grade e dói brincar com os irmãos, é mole?

Também não consegui ficar brava, imagina! Mesmo ele estando sem vacinas (começa na próxima segunda-feira, dia 23), ver a força desse bichinho me surpreendeu!

Sei que ainda tem muito a ser feito, mas acredito que ele já esteja ficando bom! Esses pequenos gestos é que me dão forças para ir em frente, apesar das dificuldades. Abraço a todos! 

PS: O nome ficou Juvenal mesmo. Adorei desde o primeiro dia!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Juvenal e como ele pode mudar minha vida!

Pessoal, voltei das férias!

Férias curtas, mas maravilhosa, inesquecível e imprescindível!!! Depois conto como foi...

Bem, ainda na volta para Bebedouro, paramos, meu namorado e eu, num desses postos famosos para almoçar. Na saída do almoço, recebo uma mensagem da minha irmã, Rejane, me dizendo para acessar o Facebook dela que ela tinha postado a foto de um cãozinho Fox, lindinho, que estava na Zoonoses e que fora queimado com água quente pelo antigo dono.

Eu tenho três Fox (a Peteca, que fica no O Jornal e é a rainha do bairro), o Dexter e o Zacarias, que moram comigo e com o meu namorado, o Paulo Sérgio. Eles são minha alegria! Passei 28 anos da minha vida só admirando os cachorros do vizinho, a alegria que eles proporcionam e todo o carinho dispensado a seus donos. Depois disso, depois que a Peteca apareceu em minha vida, não me imagino sem eles todos! É amor demais, e sem cobrar quase nada!!!

Bom, na hora que vi a mensagem já me deu um arrepio. Comentei com meu namorado e ele também foi da mesma opinião: não vamos nem olhar. Mas a curiosidade falou mais alto e, do carro mesmo, acessamos o Face da minha irmã. O que vimos nos emocionou demais...

Falamos quase que a viagem inteira sobre a foto que vimos. Não dava para acreditar que um ser, dito “humano”, teve a coragem de jogar água quente em um ser tão indefeso. É muita crueldade pensar que a “pessoa” teve a coragem de pegar uma panela, encher de água, esperar pacientemente até ferver e jogar em um animalzinho. Esse ato não tem nem classificação, assim como também a “pessoa” que fez isso não tem. Isso não tem nome...

Me emociono e me enraiveço só de pensar.

Bom, continuando, já quase em Bebedouro, meu namorado, o Serjão Desenso, já sugeriu que eu fosse até a Zoonoses “conhecer” o cachorro. Já em casa, ele foi mais declarado: que tal adotarmos? Essa pergunta eu também não tenho nem como classificar, pois tocou muito fundo em meu coração. No fundo eu já sabia que esta seria a atitude dele (para quem não conhece, ele é uma pessoa de um coração imenso, cheio de amor, que se emociona, sente, chora e se compadece do sofrimento alheio). Não poderia esperar outra coisa dele!

Quando fui até a Zoonoses, tive uma surpresa. Antes de eu entrar na sala onde ficam os animais, fui recebida por uma voluntária que disse que, aparentemente, o Juvenal (como ele era chamado), já havia sido adotado. Banho de água fria, pensei eu! Mas mesmo assim pedi para vê-lo enquanto eu esperava a Mariângela, um anjo que cuida dos animaizinhos por lá. Quando eu cheguei perto dele, ele, com toda a limitação que a situação lhe dava, logo se levantou e foi me receber. Já fui me sentando no chão para brincar com ele, e ele permaneceu ali, em pé, por todo o tempo que fiquei sentada. Fiquei com dó dele fazer todo aquele esforço e decidi me levantar para que ele pudesse ir para o cantinho dele, e assim foi feito.

Passado alguns minutos, eu já de pé conversando com a estagiária (que infelizmente não perguntei o nome), ele se levantou e foi cheirar o lugar em que eu estava sentada enquanto brincava com ele. Na hora percebi que ele é quem tinha me adotado! Logo a Mariângela chegou e disse que ele era meu, que minha irmã já tinha falado do meu interesse!

Fui buscá-lo na segunda-feira (09), por coincidência dia do aniversário do Dexter. Passei no veterinário, comprei tudo o que foi indicado, e o trouxe para casa.

Tudo era novo, tanto para ele quanto para mim. Sinceramente eu não sabia (como ainda não sei), como agir com ele, nem como pegá-lo no colo para aplicar os remédios. Ele foi um cãozinho muito judiado pela vida e pelo antigo dono, e na primeira noite foi muito “desconfiado” de tudo. Não comeu, não bebeu nada, tremia a cada passo mais barulhento e forte que ele ouvia. Quase não me deixava chegar perto: já deitava no chão como se estivesse totalmente acuado por tanto medo.

Enfim, consegui medicá-lo e o coloquei no cantinho dele para dormir. Às 3h30 da manhã de terça-feira, acordei com ele chorando (talvez pelo frio da madrugada e pela pomada em seu corpinho que deveria dar maior sensação de gelado). Como ainda não posso “misturá-lo” aos meus outros cachorros (não sei se ele foi vacinado ou se tem alguma doença encubada), o coloquei na cozinha. Ele parou de chorar, mas eu não dormi mais... Muitas coisas se passaram por minha cabeça durante as longas e intermináveis horas que passei em claro.

O abandono, o medo que ele sentia e tudo o que ele poderia já ter passado, e o meu medo de não dar conta de cuidar dele como ele merecia tomaram conta dos meus pensamentos. Tive, sim, vontade de desistir, de procurar uma nova dona que pudesse ter mais força e estrutura psicológica para cuidar dele.

Acordei às 6h da manhã e logo fui vê-lo. Seus olhinhos tristes, assustados, se misturaram ao meu olhar cansado e também com medo, e logo caí no choro. Dei os remédios, chorei junto com ele e saí de casa arrasada. Afinal, ele não comia e nem bebia nada, como é que poderia aguentar as altas doses de remédios e ter forças para ficar bom?

Fui trabalhar ainda sem saber como agir. Daí veio a forte chuva de hoje (10), a tarde, e nem imaginava como o encontraria. O Serjão chegou antes de mim e me mandou uma mensagem dizendo que ele nem se molhou! Praticamente um milagre, já que o lugar onde ele estava era pouco coberto, é apenas uma pequena área de serviço. Milagre mesmo, pois não sei o que um banho de chuva faria com sua situação já debilitada.

Cheguei em casa já bem melhor, disposta a fazê-lo comer. Pensei em leite! Esquentei meio copo e coloquei em um potinho, deixando bem perto dele, quase dando na boca. Ele tomou tudo!!! Pensei: já que gostou, vou dar mais! Leite sustenta, deve ajudar! Daí me lembrei de um pãozinho. Molhei o pão no leite quentinho e ele comeu quase que o pão todo! Uma vitória para quem não se alimentava há quase 2 dias.

Isso me deu um novo gás! Vou em frente enquanto tiver forças, e sei que, em breve, ele estará bom, correndo para todo lado junto com seus “irmãozinhos”. Vou postanto mais notícias sobre ele aqui! Obrigada a todos que me incentivaram e pelo carinho! Bjos!!! 

PS: Vamos manter, pelo menos por enquanto, o nome de Juvenal!!!

PS2: Os irmãozinhos adoraram ele!!! Vai dar certo!



Juvenal em sua primeira noite com a gente. A foto foi tirada antes de eu tirar esse "abajur" dele. Incomodava muito, tadinho! Ele tem até uma caminha agora.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um Natal inesquecível – parte II


Eu tive um Natal muito engraçado, para não dizer outra coisa. Eu devia ter de 6 para 7 anos, ou até menos... fiquei confusa com as datas agora...

A gente tinha uma árvore de Natal pequena, com poucas bolas e poucos enfeites. As bolas da árvore ainda eram feitas de vidro, ou seja, extremamente sensíveis.

Eu nunca levei muito jeito para a montagem da árvore (minha irmã Rejane sempre cuidava disso junto com minha mãe Terezinha). Tanto é que até hoje não sou adepta dos preparativos para o Natal... uma pena, por ser uma festa tão bonita!

Bom, mas aquele Natal aconteceu o seguinte: minha mãe e minha irmã montando a árvore, tudo muito lindo, enfeitado e tal, e eu num cantinho só observando. Os dias correram bem com tudo pronto assim para o grande dia.

Pois bem. O Natal estava se aproximando mas, dias antes, um dia de ventania assolou a nossa Vila Paulista. Nem saí para brincar aquele dia, o que era raro. Eu estava na sala vendo TV quando bateram palmas em frente a minha casa. Como não tinha campainha, tive que abrir a porta para ver quem era. Assim que abri a porta, a forte ventania logo levou nossa árvore para o chão, quebrando TODAS as bolas... foi triste.

A árvore, por menor e mais simples que seja, na minha opinião, é o grande símbolo do Natal depois do Papai Noel. Foi triste ver nosso Natal pouco decorado, sem nosso “símbolo maior”.

Para quem está se perguntando qual foi o meu castigo, eu digo. Não tive nenhum! Nunca fiquei de castigo pelo que me lembro, e nesse dia, em especial, minha mãe viu que não foi culpa minha e que, na verdade, a árvore estava montada bem no rumo da porta, ou seja, qualquer um que a abrisse poderia derrubar a árvore.

Hoje é engraçado lembrar disso, mas na hora isso doeu muito. Esta foi mais uma história de Natal, dos Natais que se foram e que não voltam mais. Saudades....

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O meu Natal inesquecível - Parte I



Demorei 2 dias para escrever este texto.

Minha família era de origem pobre. Meu pai, ferroviário, e minha mãe, manicure, tudo o que poderiam juntar era para o terreno que eles tinham acabado de comprar (onde a gente mora até hoje). Eram tempos difíceis, onde tudo que entrava era para a construção da nova casa.

Só fazendo um parênteses, a gente não passava por momentos tão difíceis quando eu nasci.  A gente ainda morava na casinha da Vila Paulista, mas as coisas já estavam melhores. A cozinha ainda era de zinco e cheia de furos (chovia muito dentro), mas meu irmão Rogério já trabalhava e dava um reforço na casa. Tudo tendia a melhorar.

Meu irmão, como algumas pessoas sabem, começou a trabalhar muito cedo. Ele tinha responsabilidades que um menino da idade dele nem sonhava em ter pois, além dos deveres do estudo, tinha que trabalhar e ganhar o dinheiro que ajudaria em casa. Sempre foi assim. A vida nunca foi fácil para nós e, em algumas ocasiões, nem guarda-chuva ele tinha para ir trabalhar. Bom, mas isso é outra história.

Como eu dizia, desde quando eu nasci, meu irmão já trabalhava. Isso porque a gente tem doze anos de diferença, ou seja, quando eu nasci, ele tinha 12 anos e já trabalhava. E foi logo depois disso, quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, que ganhei meu primeiro presente (pelo menos o que eu mais me lembro), o mais inesquecível de todos. Ganhei dele, e só dele (com o dinheiro que ele tinha juntado além do que ajudava em casa), uma Mônica, da Turma da Mônica, muito maior e mais pesada do que eu.

Toda linda, de vestido vermelho e dentes avantajados. Ela era muuuuito grande e pesava muito. Tinha uma cabeça enorme e maciça que, além de aumentar o peso, doía muito quando batia na minha.

No mesmo dia, no mesmo Natal, ganhei de minha mãe, dona Terezinha, uma boneca chamada Menininha. A menininha era mais leve, mas tão enorme quanto a Mônica. Loira, com roupas da moda e do meu tamanho, teve um “efeito” dentro de mim igual de quando eu vi a Mônica: me apaixonei!!!

Dois presentes lindos no mesmo Natal, o que mais eu poderia querer? Bem, eu queria era brincar com as duas, mas carregá-las era muito difícil. Se eu pegava uma, não conseguia brincar com a outra por causa do tamanho... hehehe... Eu sofri bastante e tive vários galos na cabeça... Bons tempos!

Como eu disse, eu morava na Vila Paulista e lá tinha vários amigos. A alegria dos Natais na Vila era sair no dia 26, logo que o sol nascia, para mostrar os brinquedos e agilizar as brincadeiras. Uns ganhavam bolas, outros bonecas, outros bicicletas, outros ganhavam outros brinquedos “da moda” que os pais, assim como os meus, passavam o ano todo pagando para poder ver, no dia de Natal, o sorriso de seus filhos. Me emociono só de lembrar. Lá não tinha facilidade ou brinquedo todos os dias, mas o Natal era uma data especial. Todo o sacrifício valia a pena para ver a alegria no rosto dos filhos, ou da irmã, como é também o meu caso.

Foi um Natal mágico! Inesquecível e cheio de significados que só fui entender depois de crescida. Aí vai o mais importante deles:

- Mais importante que o presente (ou o tamanho dele), é o que ele simboliza para você. Tenho essas bonecas guardadas até hoje, e nada me fará desfazer delas. Elas foram o primeiro sinal de luta da minha família e, principalmente, do meu irmão, que sempre foi um exemplo de luta para mim. Todo o esforço para esconder o presente durante quase um ano, pagando o carnê ainda, de uma criança que fuça em tudo, é uma boa maneira de fazer o Natal valer à pena e gerar expectativas. Os olhos de uma criança quando veem o seu presente aos pés da árvore, ou debaixo da cama (como era o meu caso), acho que não tem preço para quem quer agradar.

O Natal de “antigamente” nos ensina várias lições. A importância do presente (já que era ganhado apenas no Natal), a curiosidade de saber o que é, esperar acordar no dia 25 para ver o que é, compartilhar e acordar cedinho para ver e brincar com os amigos, não há dinheiro que pague. Quem dera ainda o Natal tivesse esse significado...
PS: Tenho várias histórias de Natal para contar aqui... Mas elas vão em pílulas... uma depois da outra... Acho que vocês vão gostar!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

7 anos de “O Jornal” – sob minha ótica



Há 7 anos, mais precisamente no dia 19 de dezembro, surgia nas bancas da cidade um jornal diferente. Hoje isso poderia passar despercebido, já que a cidade tem uma dezena de jornais, mas naquela época isso era diferente. A “informação” pertencia a apenas um, e esse determinava o que a população deveria ou não saber. Eram tempos sombrios...  
Surgia, então, o “O Jornal”, e ele aparentemente supriu uma necessidade da população que logo abraçou a causa e o acolheu de uma tal maneira que em pouco tempo o “jornal que nasceu morto” (como definiu o jornal que detinha o monopólio) tomou conta da cidade.

Eu diretamente não participei deste projeto desde o seu começo, mas, bem próxima, pude ver a garra e a vontade de fazer diferente de duas pessoas que idealizaram este projeto. José Luiz Alvarenga e Rogério de Carlos, os mentores, colocaram ideias, investimentos, perseverança, sonhos e ideais nesta mistura que hoje é o “O Jornal”, e isso contagiou as pessoas de bem desta cidade que puderam, enfim, conhecer a verdade da história e dos bastidores dos fatos que regem nossa cidade.

Me lembro que não foi um trabalho fácil. A começar pelo desafio de “quebrar” um monopólio, pois o jornal tradicional da cidade já beirava seus 80 anos, e reinava absoluto até então. E sem contar a dificuldade de conseguir apoiadores, patrocinadores, pessoas que acreditasse num projeto diferente do que a cidade estava acostumada a quase um século. Foram dias e noites varados, buscando o formato ideal junto com uma equipe extremamente reduzida, mas também empolgada com o novo, com a vontade de mudar a cara desta cidade tão querida.

Eu naquela época ainda cuidava da livraria da minha família, e posso dizer, a grosso modo, que foi o “O Jornal” que influenciou na minha decisão de permanecer em Bebedouro. Nossa livraria estava quase completando 20 anos e, com os projetos do “O Jornal” já iniciados, alguém precisava cuidar da loja. E foi assim que, juntamente com minha vontade e amor por Bebedouro, resolvi ficar por aqui. Mal eu sabia o que me esperava...

Há dois anos e meio nós decidimos vender nossa livraria e eu fui trabalhar no “O Jornal”. De início assumi funções administrativas como financeiro, departamento pessoal, organização (só lembrando que tenho formação de engenheira de alimentos, mas a parte administrativa sempre esteve presente em minha vida, mas daí é assunto pra outro post).

Trabalhar no “O Jornal”, para mim, é uma surpresa a cada dia. Acordo e não sei como meu dia vai terminar e as funções que vou executar. É estimulante, divertido, fiz amigos sinceros e hoje assumi funções que estavam fora do “meu quadrado”. Me vejo hoje desempenhando funções como de colunista social, justo eu, a mais tímida da turma!

Mas tem também seu lado “ruim”, digamos assim.  Por assumirmos algumas posturas em defesa da cidade, tivemos nossa vida devastada. E vida no geral, pois não só no financeiro nos afetaram. Nossa vida particular, nosso direito de ir e vir, algumas pessoas que conhecemos, enfim, nossa vida mudou de alguma forma. Mas também, de alguma forma, a cidade mudou, e isso nos enche de orgulho.

Comprarmos brigas homéricas, daquelas que só grandes meios de comunicação ou pessoas muito corajosas comprariam. Batemos de frente com diversos “Golias”, com “gente graúda”, com “figurões” da falida sociedade bebedourense (aqueles que ainda sonham com a volta do cabresto e dos coronéis), com aqueles que ainda acreditam que basta uma palavra sua para que a cidade abaixe a cabeça e faça a sua vontade. O resultado dessas “brigas” todo mundo sabe: processo, processo e mais processo em cima da gente.

Do fundo do coração, não existe mais nada a ser tirado de nós. Digo “nós” pois hoje, junto com minha irmã Rejane Caputo, faço parte do quadro societário do “O Jornal”. Não há mais nenhum bem material a ser tirado. O que podiam já levaram, infelizmente, mas como diz minha sogra “o que pode ser resolvido com dinheiro é mais fácil”. Temos saúde, graças a Deus, e muita força de vontade. Vamos levando a vida e tudo o que nos foi tirado de material um dia conquistaremos de novo. Nosso Deus e nossa fé são maiores que tudo isso.

Mas o que a gente conseguiu nesta cidade não tem volta: conseguimos fazer a população, mesmo quieta ainda, não indo para as ruas protestarem, acordar e perceber quem são as pessoas que dominam nossa cidade. Quem são os políticos, as pessoas que querem assumir o poder de mando na vida dos bebedourenses. Quem só busca levar vantagens com o cargo que ocupa e quem realmente está interessado em trazer melhorias para nossa cidade. Quem só quer posar de bom e quem tem propostas sérias para nossa cidade. Isso, meus amigos, não tem volta. Nunca mais a população será a mesma.

É claro que as coisas materiais nos fazem falta e nos trouxeram prejuízos, mas tenho muito orgulho de participar de um jornal que mudou a cara de uma cidade. É muito bom saber que presenciei, relatei e participei de fatos históricos de Bebedouro, e saber que o “O Jornal” tem sua parcela em muitos benefícios que a cidade teve.

E digo mais: temos apenas 7 anos, e estamos apenas no começo!

Sem falsa modéstia, eu penso: O que seria de Bebedouro sem o “O Jornal”? 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O desfecho de Michael Jackson II



Recebi alguns comentários sobre o post abaixo, o “O desfecho de Michael Jackson”. Resolvi fazer este post para não deixar dúvidas sobre o que eu realmente quis dizer.

Nunca, em nenhum momento do post, eu fui indelicada, grosseira ou desmereci MJ. Seu talento, carisma, poder e genialidade o deixa acima de tudo isso. Era rei e será rei para sempre. Gerações e gerações se lembrarão de MJ. Isso não vai mudar nunca.

Eu disse no blog que a mídia em geral sempre massacrou demais MJ. Tudo o que ele fazia virava notícia, e mesmo antes de termos os famosos “paparazzi”. Ele sempre foi notícia e “vendia muito jornal e revista”. Qualquer capa contendo MJ ou detalhes de sua vida (mesmo os inventados), virava sucesso de venda. Isso é fato.

Na sanha de vender mais e mais exemplares, a imprensa internacional pegou bastante pesado com ele, sim. Mas a sanha de seus fãs também ajudou para que isso acontecesse, afinal, se não acessassem sites, comprassem revistas e jornais que continham informações sobre o astro, não alimentariam essa indústria que se formou em torno dele. Isso é fato também, por mais que doa aos fãs.

Mas a questão principal do post anterior foi dizer o quão danoso pode ser para uma pessoa a falta dela se assumir. E a verdade era que MJ não se assumia.

Muito se falou sobre sua cor de pele, que foi clareando com o passar dos anos. Especulava-se vitiligo, mas ele, não que eu me lembre, nunca foi à público acabar com boatos. Nunca falou “sim, eu tenho” ou “não, é tudo mentira”. Acho que faltou isso, mas julgá-lo agora pode ser leviano. Afinal, com a vida conturbada que levou, cheio de curiosos e ávidos por qualquer passo dado por ele, era de se esperar que ele quisesse privacidade em alguns pontos da vida. Justo.

Muito se falou sobre as mudanças em seu rosto, sobre as inúmeras plásticas que fez. Na minha opinião, mais um ponto de pessoas que não se assumem e que sofrem com uma rejeição que na verdade só existe em suas cabeças.

Então, juntam-se as mudanças de tom de pele e as incontáveis plásticas e têm-se, claramente, a fisionomia de quem não se assume. O olhar triste de MJ, algumas atitudes intempestivas e seu isolamento também mostram isso. A própria infância de MJ, como ele mesmo disse em entrevistas, foi muito sofrida. Um pai extremamente enérgico, autoritário e violento e uma mãe impotente diante das situações também podem ter contribuído para isso.

Muito se falou sobre MJ, mas poucos sabem, também, o ser humano generoso que ele era. Por onde passava, dava um jeito de visitar um orfanato ou hospital e, caso não gostasse do que tinha visto (quase nunca gostava), sempre mandava ajuda financeira para melhorar as condições. Ia, visitava doentes, dava palavras de conforto a crianças carentes e fez belas campanhas pelo mundo sempre por boas causas. Guerras, fome, violência... sempre que podia ele estava lá, apoiando. Mas isso nem sempre dá audiência, não é mesmo?

Bom, só para finalizar, acho que o preconceito estava na cabeça dele, não no coração de seus milhões de fãs do mundo todo. Ele foi, é e sempre será rei, do jeitinho que ele era!

PS: Recebi um vídeo que conta um pouco sobre "O homem por trás do mito". É dividido em 2 partes e vale a pena assistir. Eu assisti 2 vezes cada um e adorei!



terça-feira, 29 de novembro de 2011

O desfecho de Michael Jackson


Esta semana foi divulgada a sentença de prisão do médico de MJ: 4 anos de detenção. Ouvindo a crônica de Arnaldo Jabor, no Jornal da Globo, não resisti e estou fazendo este post.

Jabor disse que realmente não sabe se o médico é culpado ou inocente da morte de MJ. MJ foi um rapaz que foi dilacerado intimamente pela mídia, que nunca permitiu, apesar de sempre alardear, que ele fosse homossexual e muita especulação fez sobre o caso.

Segundo Jabor, a sanha de MJ em se parecer cada vez mais branco, cada vez mais mulher, contribuiu para isso. Jabor até compara a aparência de MJ como a de Diana Hoss, sua amiga. Cada vez mais distante de usa felicidade, de sua auto-afirmação, MJ foi se distanciando do mundo e se isolando, tornando-se cada vez mais “o menino” que a mídia sempre quis que ele se perpetuasse e que da qual ele mesmo queria se desfazer. Criou-se o “Neverland”, a terra do nunca, para que ele nunca mais crescesse.
Bom, contei um pouco do que o Jabor disse e de que eu também concordo.

Acho que quem não se assume verdadeiramente perde “metade de sua vida”.

Não que seja fácil se assumir (eu imagino pelo caso que passei ao ter que assumir para minha mãe que eu fumava cigarro – ela odeia até hoje - mas acho que a gente se torna mais “gente” ao se assumir. A sociedade, a família e os amigos podem te rechaçar num primeiro momento, mas com certeza estarão com você sempre se forem sinceros, te ajudando e te dando apoio.

A mensagem deste post é a de que você deve ser feliz. Quem se assume, com seus erros e seus acertos, suas qualidades e seus deslizes, assume a sua postura de ser mais feliz sempre e essa felicidade não tem preço. Assuma você como você é e seja feliz!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Afinal, para quê serve um político?


 
Hoje, 18 de novembro, é uma sexta-feira e aniversário da minha mãe, a Dona Terezinha. Como uma boa sexta-feira, é dia de tomar uma cervejinha e relaxar. E assim foi feito: cheguei no sítio e abri a primeira cerveja enquanto ligada a televisão. O Jornal  Nacional estava no ar, e eis que eu estou aqui, mais uma vez para falar de política, em plena sexta-feira. Poxa, justo eu que tinha feito um voto de, a partir de agora, postar coisas mais leves aqui no blog que, apesar de também tratar de política, estava ficando político demais... Mas eles (os políticos!), realmente não me deixam em paz nem numa sexta-feira gostosa para se tomar uma cervejinha e relaxar. Aí vou eu!

José Ribamar Ferreira Araújo da Costa (vou omitir o último sobrenome para só revelar depois, mas acho que vocês já saberão de quem eu falo). Este homem nasceu em 1930 e ingressou na política aos 24 anos. Já foi suplente de deputado federal, deputado federal, governador, senador e presidente (depois que o cabeça da chapa faleceu). Sua família também tem papel importante na política de seu estado e do país, ocupando cargos de destaque.

Bem, sem mais delongas, estou falando de um homem que este ano completou 57 anos de política, tendo ocupado, como já disse, os mais importantes cargos (não foi prefeito nem vereador, nem deputado estadual, cargos “menores”: já foi mais alto!). Este homem é o José Sarney. Dispensa apresentações.

Apesar de agora ele ter sido eleito pelo estado do Amapá, Sarney e sua família residem no estado do Maranhão, o mais pobre da população. Lá, segundo dados do IBGE, na cidade mostrada pelo JN (Vargem Grande), 33% d população vive com menos de R$ 70 por mês, faixa considerada como pobreza extrema. As condições de vida são precárias, nas quais os moradores da cidade, quando muito, possuem casas de saibro cobertas com folhas de coqueiro, assim como a escola do município.

A renda média da população é de R$ 156, e muitos deles dependem exclusivamente do Bolsa-Família. Tratamento de água e esgoto atinge menos de 50% da população, e o único hospital da região funciona com esgoto à céu aberto bem na entrada.

Como falta água, a população depende de água de poço que, segundo mostrou a reportagem, é barrenta e tem até cachorro morto.

O prefeito da cidade disse à reportagem que a cidade é pobre e não possui recursos, e que depende exclusivamente das emendas de parlamentares para sobreviver.

O governo do estado do Maranhão (lê-se Roseana Sarney, filha do dito cujo), divulgou nota dizendo que a cidade é carente de recursos porque a população é feita de jovens e crianças, ou seja, menos gente trabalhando e conseqüentemente menos dinheiro circulando. Disse também que grande parte da população vive na zona rural, que paga pouco e gera menor renda.

Bom, enquanto via essa reportagem, a única pergunta que vinha à minha cabeça era: como um estado que já teve até um presidente da república nascido lá, é capaz de passar por tantos problemas e tanta miséria? Como uma pessoa, com 57 anos de política e ocupando só os altos cargos, não conseguiu fazer NADA por seu estado natal? Como é possível, ocupando cargos que realmente podem fazer a diferença, não ter feito nada para mudar o triste quadro enfrentado há anos pelo Maranhão?

Isso gera muita revolta. Para quê serve, então, um político?

Fico me questionando se não sou a errada: ou eu sou muito romântica com política ainda (acho que ela serve para ajudar as pessoas, fazer uma cidade crescer, melhorar a qualidade de vida de um povo, dar dignidade, uma educação satisfatória, melhorar as condições de emprego, enfim... uma série de coisas), ou eu sou muito boba ou, definitivamente, não sou deste mundo.

Prefiro me achar “romântica” em política e ainda acreditar que muita coisa pode melhorar. Afinal, o dia em que perdermos a fé, a esperança e a capacidade de acreditar nas pessoas, não deveríamos nem sair da cama. Eu penso assim!  

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O câncer do Lula


Desde o último final de semana, quando foi anunciado que o ex-presidente Lula estaria com câncer na laringe, várias correntes surgiram na internet, em especial na rede social Facebook. Correntes de apoio, de oração, dando forças ao ex-presidente logo foram postadas, mas uma em especial, também muito postada por sinal, chamou mais atenção que as demais.

Tratava-se da “campanha”: “Lula, faça o tratamento pelo SUS”. Eu decidi compartilhar porque, antes de mais nada, acho muito justa a campanha.

Conforme eu escrevi na foto antes de compartilhá-la, ninguém que postava tal campanha estava desejando mal ao Lula nem desrespeitando qualquer pessoa que passa ou que passou por um câncer. A questão vai mais além, e é só ter um pouquinho de BOM SENSO para perceber o real intuito da manifestação: a Saúde Pública, num todo, precisa de mais cuidados.

Basta analisar, quem qualquer noticiário de qualquer emissora, as matérias publicadas sobre o descaso com a Saúde. São hospitais que nunca saíram do papel (quando muito estão só no alicerce) e que já consumiram milhões em verbas, remédios importantes faltando, médicos insuficientes, descaso em consultas e atendimentos, falta de leito, falta de UTI, falta de materiais básicos para atendimento, demora de atendimento mesmo em emergência, e por aí vai.

O TCU (Tribunal de Contas da União) divulgou, ainda este ano, que a Saúde, mesmo sendo um dos setores de maior importância, é o que registra mais casos de corrupção e desvio de verbas. E isso não sou eu quem estou falando, é o TCU, órgão que controla as contas públicas.

Agora, uma pessoa como um presidente do Brasil, que tanto disse aqui e lá fora que nossa Saúde dava orgulho, que muito havia se avançado, que “nunca antes...” estava tão boa, ir direto para um hospital particular, soa, no mínimo, incongruente. Não combina com o discurso “bonito” que fez durante 8 anos de governo.

É claro que qualquer pessoa, tendo condições financeiras, buscaria o melhor tratamento de saúde caso precisasse. Mas e a grande parte da população que não tem recursos, como fica? Cai no “bom” e velho SUS e fica sujeito a toda sorte de percalços como os que citei acima.

A campanha tem a foto do Lula mas não é, em hipótese alguma, uma piada ou brincadeira de mau gosto com a dor que o ex-presidente ou seus familiares estão passando no momento. É justamente para trazer a reflexão de quê Saúde os governantes estão oferecendo à população que acreditou e que votou neles. Se nem eles mesmos acreditam na Saúde que implantaram e quando precisam correm para hospitais particulares, imaginem os pobres mortais, que sem opção melhor vão para o SUS?

Pagamos impostos como país de primeiro mundo e recebemos tratamentos de terceiro mundo. Até quando?

Até quando os governantes nos farão de palhaços?

PS: Não que eu deva dar satisfação do que eu penso ou do que eu acho certo ou errado a alguém, mas achei que seria válida uma explanação sobre o tema. E só completando: acho o fim do mundo políticos ficarem dando piti em redes sociais acusando outras pessoas de fazerem “piadas e perversidades com a doença do Lula”. Acorda, povo! Como todo mundo sabe, no Facebook há um campo destinado a publicações em que está escrito “No que você está pensando?”. É pra isso que serve aquele campo, para cada um escrever o que pensa naquele momento! Cada pessoa é livre para pensar e escrever o que quiser. Faz parte da liberdade de expressão. É a democracia, companheiros e amigos de Facebook! E que fique claro de uma vez por todas que, com isso, ninguém está desejando mal ao Lula.

E ponto final!