sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Uma semana com surpresas para o Juvenal – não tão boas.



O Juvenal (meu novo “filho” que adotei na Zoonoses, todo queimado por seu antigo dono e cheio de outros problemas – leia os posts anteriores), teve uma semaninha complicada.

Ele, na realidade, está ótimo! A pele que foi queimada já está totalmente cicatrizada e esperando os pelos novos, está comendo ração e adorando, bebendo bastante água, andando com as quatro patas pra lá e pra cá, mas uma micose chata estava me incomodando muito.

Na verdade ele já veio com ela. Era pequena, mas visível no focinho, no queixo e numa manchinha entre o nariz e os olhos, além da orelha. Assim que ele ficou curado da queimadura e da doença do carrapato, percebi que realmente era algo estranho. No começo achei que poderia ser queimadura ou um focinho esfolado (tem gente que acha que educa um cachorro esfregando o focinho dele onde ele fez o que não devia... vai saber), mas antes dele se curar de coisas “mais sérias”, não poderia dar mais uma carga de remédios para o pobre, afinal, com todos os remédios que ele tomou, teve problemas no fígado, parou de comer, caiu a resistência e aí já vi... problemas a vista! Agora mais forte, pude dar mais atenção à micose.

Tentei, junto com o veterinário Henrique Junji Matsuda, comprimidos e pomadas, mas a micose não cedia. Pelo contrário: começou a aumentar da noite para o dia, a olhos vistos. E meu desespero foi aumentando junto.

Hoje (03), levei-o ao veterinário e, logo de cara, Juvenal foi diagnosticado: sarna negra*! Ai ai, na hora pensei: “tadinho, tudo acontece com ele!” Logo partimos para os medicamentos (diluição de um produto em água para passar nas manchas a cada três dias e meio comprimido a cada 12 horas).  Lá vai o Juvenal com os comprimidos!

Já estou aproveitando também e dando vitamina E para ele, para ajudar no crescimento de pelo das áreas prejudicadas pela queimadura. Já que vai tomar um comprimido, aproveita e já toma uma cápsula de vitamina!

Agora vamos enfrentar mais este desafio. Mas estou certa de que, assim como das outras vezes, ele vai tirar de letra e ficar bom logo logo! Torçam por ele!


*A Sarna Negra  se apresenta também com o nome de sarna negra, cientificamente chamada demodécica. Nessa versão, em vez da coceira, o bicho apresenta feridas com secreções e odor forte. Assim como a comum, a sarna negra é um parasita que aparece pela infestação de um ácaro. A doença pode afetar cachorros e, raramente, coelhos. A presença deste ácaro na pele dos animais é normal e inofensiva. Porém, pode se manifestar em animais que não nasceram com uma deficiência imunológica específica. Essa sarna não é contagiosa, mas propicia infecções bacterianas secundárias. Portanto, é indispensável ter regras básicas de higiene, tanto para os animais como para os humanos, como explica o especialista. Não existem medicamentos que curem a sarna, mas existem os que a controlam muito bem. Se cuidado, o bicho terá vida quase normal. A doença não tem como ser evitada. Como se trata de um problema genético, o único jeito de impedir que ela se espalhe é evitar a procriação do animal.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Ufa, enfim uma semana tranquila para o Juvenal!



Até que enfim passamos uma semana tranquila!

Ele está comendo suuuuuuper bem (carne e ração), bebendo bastante água, já caminha com as 4 patas (uma das patas traseiras, bastante prejudicada com a queimadura, ainda o fazia mancar) e está pedindo carinho toda hora!

Hoje (domingo, 29), ele tomou a última das 10 injeções que precisou para controlar a temida doença do carrapato. Ele ainda tem que tomar comprimidos para curar uma micose no focinho e na orelha direita, mas já está bem melhor também.

No sábado, junto com o Dexter e o Zacarias (meus outros cachorros), saiu correndo pelo sítio! Fiquei muito feliz pela recuperação dele e pela interação com os “irmãozinhos”.

Ele me recebe todos os dias pela manhã para me dar “bom dia”, junto com os outros. Quando chego a noite, lá está ele para me receber assim que paro o carro! São pequenos gestos, pequenos passos, mas me alegram de uma forma que ninguém pode imaginar!

Agora só falta, para ficar completo, ele me dar o maior gesto de carinho de um cão: uma lambida nem que seja na mão. Ainda não aconteceu, mas acho que falta pouco!  

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A semana do Juvenal


O último post que fiz sobre o Juvenal foi na segunda-feira (16). Passaram-se apenas 4 dias, mas a vida do Juvenal é realmente muito agitada.

A segunda-feira ainda foi tranqüila. Ele ainda comia o primeiro pedaço de bife de fígado com remédio sem problemas. Já na terça pela manhã ele começou a desconfiar do primeiro pedaço. Não comia de jeito nenhum, e passou a comer menos o que eu deixava pra ele durante o dia.

Comprei então a boa e velha salsicha (minha irmã sempre dizia que os cachorros dela eram loucos por salsicha e os meus também são). O primeiro pedaço que fui dar a ele a noite ele nem quis saber do que se tratava, mesmo estando sem remédio. Resultado: tive que dar na marra mesmo. Ele relutou um pouco, mas tomou.

Na quarta pela manhã também foi o mesmo “parto”, mas a noite ele se superou: dei o remédio à força, esperei um pouco pra ver se ele engolia, ele fazia o “barulhinho” de engolir e eu achava que estava tudo certo. Era eu levantar para ele cuspir o remédio fora! Fez isso 3 vezes!!! Muito malandrinho esse Juvenal!

Eu me diverti muito com a esperteza dele, mas minha preocupação aumentava a cada instante porque ele simplesmente parou de comer. Ficava amuado no cantinho dele, não erguia nem a cabeça, não saía para dormir debaixo do carro nem nada.

Depois de algumas dicas do Henrique Junji Matsuda, o veterinário dos meus cachorros (excelente, por sinal), ele tentou comer um pouco do arroz misturado com fígado triturado ainda na quarta à noite. Até fiquei feliz, pensei que ele tinha enjoado do bife de fígado puro.

Na quinta pela manhã, ele tinha posto tudo para fora. Estava muuuuuito mais amuado e nada despertava sua atenção. Ele tremia e gemia muito. Saí do sítio arrasada, chorando e achando que não tinha mais jeito, que o Juvenal ia me deixar. Nem dei remédio para não forçá-lo.

Cheguei em Bebedouro e liguei para o Henrique, que pediu que eu o levasse na clínica. Fui com minha irmã Rejane buscá-lo na hora, mas tinha medo do que poderia encontrar. Sinceramente achei que não o encontraria vivo. Mas ele estava lá, debilitado mas lutando.

O diagnóstico não foi dos melhores: por causa da grande carga de antibióticos que ele teve que tomar, o fígado ficou comprometido (por isso não comia). Por não comer ficou fraco e sua resistência baixou, deixando que a doença do carrapato, que estava encubado, se manifestasse. Iniciamos o tratamento na mesma hora!*

Uma enorme receita foi me dada, e logo fui comprar as coisas. O Henrique já fez um pacote para curar a doença do carrapato (10 injeções), sarar o fígado (5 injeções), soro administrado por via oral e um produto para ajudar a crescer o pelo onde ele foi queimado. E papinhas especiais para deixá-lo beeeem forte!

Ah, e tem a parte principal: ele foi liberado para o primeiro banho!!! Isso não tem preço! Tadinho, precisava ter um pouco de dignidade na vida, sabe? Suas queimaduras estão ótimas, já todas curadas! A pele já está pronta para se recuperar e receber os novos pelos, que nascerão com a ajuda de remédios e loções.

Fiquei mais de 45 minutos para dar banho nele no chuveiro (energia rural, não se assustem! E quanto ao “desperdício” de água, Deus sabe que foi por uma boa causa!), mas a parte principal foi quando joguei a primeira caneca de água semi-morna nele. Ele chorou muito, mas muito mesmo, talvez se lembrando da sua triste história de queimadura com água fervendo. Quando ele sentiu água no seu corpo de novo pode ter se lembrado e até “pensado”: “pronto, vai acontecer de novo”. Cortou meu coração, mas com muita “psicologia e conversa” consegui acalmá-lo.

Bom, tirei todos os resquícios de pomada e pude ver que a queimadura estava curada! Fiquei muito feliz com isso. Hoje (20), dei início ao tratamento contra a doença do carrapato e a melhora do fígado. As papinhas.... ah, ele adorou as papinhas! Está comendo melhor e hoje a noite ele, inclusive, já está levantando a cabeça, ficando atento a tudo o que acontece. Até levantou as orelhas quando assoviei para os meus outros 2 cachorros! Inédito isso. Estou bastante feliz!

Juvenal quando chegou


 Juvenal depois do banho e curado das queimaduras



Pessoal, isso acabou de acontecer. Enquanto eu escrevia o texto, o Juvenal levantou sozinho, foi no pote de água e tomou muita água. Depois, não contente, veio deitar quase no meu pé, de barriga pra cima, pedindo carinho. Nunca fez isso, e imagino que seja um sinal de que ele está melhorando!!!! Olha isso!



*A doença do carrapato pode matar, sim. Mas quando diagnosticada a tempo há tratamento. Fique atento e, se perceber que seu cachorro perdeu o apetite, ficou amuado, tem febre, machas roxas no pelo, dentro outros sintomas, procure um veterinário urgente!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O final de semana do Juvenal



A agitação começou logo na sexta-feira (13), dia marcado pelo veterinário para a primeira dose da vacina. Como ele veio da rua já grandinho, resolvi dar todas as vacinas de novo por imaginar que ele, provavelmente, não estaria com as doses em dia. Cheguei para buscá-lo por volta das 15h e, para minha surpresa, ele foi me receber no caro, todo feliz e abanando o toquinho de rabo que tem. Chorei de emoção ao vê-lo! Era a primeira vez que o via caminhar e principalmente abanar o rabo, que desde que ele chegou estava como se ele estivesse com medo, com o rabinho entre as pernas. Era um sinal de que, de alguma forma, eu havia ganhado a confiança dele.

O caminho até o veterinário foi longo. Não havia jeito de ele ir deitado na caminha: ele queria ir no meu colo! E assim foi feito! Chegamos ao veterinário, ele no meu colo, e ficamos esperando a consulta. O veterinário está atendendo em uma casa de ração, e não preciso nem dizer que ele foi a sensação do lugar! Todo mundo parava e pergunta: “nossa, o que aconteceu com ele?” ou “esse é o Juvenal, não é? Aquele cãozinho que saiu no O Jornal?” O Juju ficou famoso! Recebi o carinho de todos ali e pude ver a indignação das pessoas com o fato. E ele lá no meu colo, todo manhoso!

Ele chorou como meus outros cachorros quando tomou a injeção. O veterinário disse que ele está bem melhor, com as queimaduras já secando. Só precisa comer um pouquinho mais, mas isso está difícil. Só bifinho de fígado e olhe lá, às vezes nem isso ele come. Aceito sugestões, viu! Faço qualquer coisa pra ele comer melhor!

Bom, no sábado (14), dei os remédios e fiquei com eles um pouquinho lá fora. Por volta do meio-dia entrei e fui descansar. Lá pelas 15h, o Paulo Sérgio foi lá fora e, para nossa surpresa, cadê o Juvenal? Pensei: “pronto, fugiu! É isso que dá criar cachorro já adulto no sítio! Ele foi embora, nos abandonou! Justo nós que tanto amor e carinho demos a ele!” Ficamos muito tristes.

Depois de umas 3 horas, eis que surge, debaixo do carro e com a maior cara de sono, o Juvenal! Resolveu esticar as perninhas e tirar um cochilo em um lugar diferente e nos deixou nessa preocupação toda!!!

Fizemos a maior festa quando ele voltou! No domingo (15), ele “sumiu” de novo, mas agora já sabemos seu paradeiro! Ele está a cada dia mais esperto!!! Vida longa ao Juvenal!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O dia do Juvenal – parte I



Ontem (10/01), fiz um post sobre o Juvenal que muita gente gostou e comentou. Teve uma amiga, a Maria Alice Magioni Mariotto, que até disse para eu fazer um diário dele, mas como sou meio desligada, disse que faria aos poucos, sem muuuuito compromisso. Mas as coisas que aconteceram ontem merecem um post!

Eu estava angustiada por ele não ter comido. Já fazia dois dias que ele não comia e nem bebia. Cheguei por volta das 18h disposta a fazê-lo comer! Pensei no leite, que sustenta.

Esquentei meio copinho americano e ofereci à ele, que logo foi bebendo. Nossa, foi uma sensação muito boa vê-lo se alimentar. Daí pensei num pãozinho molhado no leite (quase todo mundo adora!), e lá fui. Para minha surpresa, ele comeu quase um pão inteiro! Era uma vitória!!!

Postei no Face que ele tinha comido, e teve uma amiga que comentou uma coisa que não saiu da minha cabeça, algo tipo assim: “pode dar uma diarreiazinha (...) mas ta valendo, comeu alguma coisa.”

Eu sei por mim mesma que leite dá um certo “revertério”, mas minha felicidade por ele ter comido era tanta quem nem me preocupei com isso.
Como choveu e fez um friozinho, colocamos ele para dormir na cozinha. Quente e confortável em sua caminha nova! Dormiu a noite toda, nem chorou. Parou até de tremer, algo que, além do medo, associei à fome.

Acordei pela manhã e fui vê-lo, e eis que vejo, na cozinha, um cenário de guerra... Realmente deu um “pequeno” revertério no pobre menino... Tadinho!

Fiquei assustada, mas não pela sujeira em si: fiquei com medo de ter piorado o quadro dele.  Tirei-o de lá, lavei tudo e esperei dar um horário de “gente” para ligar para o veterinário, o Henrique Junji Matsuda, que confirmou que o leite dá esses probleminhas e logo me ensinou a fazer uma papinha com fígado e beterraba, para depois misturar com ração para ele se acostumar a comer. Ufa, fiquei aliviada!

Fui trabalhar e o Paulo Sérgio, meu namorado, chegou em casa antes de mim. Na hora ele me ligou dizendo que ele estava solto, andando pela grama. Isso porque fizemos um cercadinho com madeira de uns 40 cm e colocamos uma pequena grade, totalizando quase 1 metro! Ele conseguiu passar pela grade e dói brincar com os irmãos, é mole?

Também não consegui ficar brava, imagina! Mesmo ele estando sem vacinas (começa na próxima segunda-feira, dia 23), ver a força desse bichinho me surpreendeu!

Sei que ainda tem muito a ser feito, mas acredito que ele já esteja ficando bom! Esses pequenos gestos é que me dão forças para ir em frente, apesar das dificuldades. Abraço a todos! 

PS: O nome ficou Juvenal mesmo. Adorei desde o primeiro dia!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Juvenal e como ele pode mudar minha vida!

Pessoal, voltei das férias!

Férias curtas, mas maravilhosa, inesquecível e imprescindível!!! Depois conto como foi...

Bem, ainda na volta para Bebedouro, paramos, meu namorado e eu, num desses postos famosos para almoçar. Na saída do almoço, recebo uma mensagem da minha irmã, Rejane, me dizendo para acessar o Facebook dela que ela tinha postado a foto de um cãozinho Fox, lindinho, que estava na Zoonoses e que fora queimado com água quente pelo antigo dono.

Eu tenho três Fox (a Peteca, que fica no O Jornal e é a rainha do bairro), o Dexter e o Zacarias, que moram comigo e com o meu namorado, o Paulo Sérgio. Eles são minha alegria! Passei 28 anos da minha vida só admirando os cachorros do vizinho, a alegria que eles proporcionam e todo o carinho dispensado a seus donos. Depois disso, depois que a Peteca apareceu em minha vida, não me imagino sem eles todos! É amor demais, e sem cobrar quase nada!!!

Bom, na hora que vi a mensagem já me deu um arrepio. Comentei com meu namorado e ele também foi da mesma opinião: não vamos nem olhar. Mas a curiosidade falou mais alto e, do carro mesmo, acessamos o Face da minha irmã. O que vimos nos emocionou demais...

Falamos quase que a viagem inteira sobre a foto que vimos. Não dava para acreditar que um ser, dito “humano”, teve a coragem de jogar água quente em um ser tão indefeso. É muita crueldade pensar que a “pessoa” teve a coragem de pegar uma panela, encher de água, esperar pacientemente até ferver e jogar em um animalzinho. Esse ato não tem nem classificação, assim como também a “pessoa” que fez isso não tem. Isso não tem nome...

Me emociono e me enraiveço só de pensar.

Bom, continuando, já quase em Bebedouro, meu namorado, o Serjão Desenso, já sugeriu que eu fosse até a Zoonoses “conhecer” o cachorro. Já em casa, ele foi mais declarado: que tal adotarmos? Essa pergunta eu também não tenho nem como classificar, pois tocou muito fundo em meu coração. No fundo eu já sabia que esta seria a atitude dele (para quem não conhece, ele é uma pessoa de um coração imenso, cheio de amor, que se emociona, sente, chora e se compadece do sofrimento alheio). Não poderia esperar outra coisa dele!

Quando fui até a Zoonoses, tive uma surpresa. Antes de eu entrar na sala onde ficam os animais, fui recebida por uma voluntária que disse que, aparentemente, o Juvenal (como ele era chamado), já havia sido adotado. Banho de água fria, pensei eu! Mas mesmo assim pedi para vê-lo enquanto eu esperava a Mariângela, um anjo que cuida dos animaizinhos por lá. Quando eu cheguei perto dele, ele, com toda a limitação que a situação lhe dava, logo se levantou e foi me receber. Já fui me sentando no chão para brincar com ele, e ele permaneceu ali, em pé, por todo o tempo que fiquei sentada. Fiquei com dó dele fazer todo aquele esforço e decidi me levantar para que ele pudesse ir para o cantinho dele, e assim foi feito.

Passado alguns minutos, eu já de pé conversando com a estagiária (que infelizmente não perguntei o nome), ele se levantou e foi cheirar o lugar em que eu estava sentada enquanto brincava com ele. Na hora percebi que ele é quem tinha me adotado! Logo a Mariângela chegou e disse que ele era meu, que minha irmã já tinha falado do meu interesse!

Fui buscá-lo na segunda-feira (09), por coincidência dia do aniversário do Dexter. Passei no veterinário, comprei tudo o que foi indicado, e o trouxe para casa.

Tudo era novo, tanto para ele quanto para mim. Sinceramente eu não sabia (como ainda não sei), como agir com ele, nem como pegá-lo no colo para aplicar os remédios. Ele foi um cãozinho muito judiado pela vida e pelo antigo dono, e na primeira noite foi muito “desconfiado” de tudo. Não comeu, não bebeu nada, tremia a cada passo mais barulhento e forte que ele ouvia. Quase não me deixava chegar perto: já deitava no chão como se estivesse totalmente acuado por tanto medo.

Enfim, consegui medicá-lo e o coloquei no cantinho dele para dormir. Às 3h30 da manhã de terça-feira, acordei com ele chorando (talvez pelo frio da madrugada e pela pomada em seu corpinho que deveria dar maior sensação de gelado). Como ainda não posso “misturá-lo” aos meus outros cachorros (não sei se ele foi vacinado ou se tem alguma doença encubada), o coloquei na cozinha. Ele parou de chorar, mas eu não dormi mais... Muitas coisas se passaram por minha cabeça durante as longas e intermináveis horas que passei em claro.

O abandono, o medo que ele sentia e tudo o que ele poderia já ter passado, e o meu medo de não dar conta de cuidar dele como ele merecia tomaram conta dos meus pensamentos. Tive, sim, vontade de desistir, de procurar uma nova dona que pudesse ter mais força e estrutura psicológica para cuidar dele.

Acordei às 6h da manhã e logo fui vê-lo. Seus olhinhos tristes, assustados, se misturaram ao meu olhar cansado e também com medo, e logo caí no choro. Dei os remédios, chorei junto com ele e saí de casa arrasada. Afinal, ele não comia e nem bebia nada, como é que poderia aguentar as altas doses de remédios e ter forças para ficar bom?

Fui trabalhar ainda sem saber como agir. Daí veio a forte chuva de hoje (10), a tarde, e nem imaginava como o encontraria. O Serjão chegou antes de mim e me mandou uma mensagem dizendo que ele nem se molhou! Praticamente um milagre, já que o lugar onde ele estava era pouco coberto, é apenas uma pequena área de serviço. Milagre mesmo, pois não sei o que um banho de chuva faria com sua situação já debilitada.

Cheguei em casa já bem melhor, disposta a fazê-lo comer. Pensei em leite! Esquentei meio copo e coloquei em um potinho, deixando bem perto dele, quase dando na boca. Ele tomou tudo!!! Pensei: já que gostou, vou dar mais! Leite sustenta, deve ajudar! Daí me lembrei de um pãozinho. Molhei o pão no leite quentinho e ele comeu quase que o pão todo! Uma vitória para quem não se alimentava há quase 2 dias.

Isso me deu um novo gás! Vou em frente enquanto tiver forças, e sei que, em breve, ele estará bom, correndo para todo lado junto com seus “irmãozinhos”. Vou postanto mais notícias sobre ele aqui! Obrigada a todos que me incentivaram e pelo carinho! Bjos!!! 

PS: Vamos manter, pelo menos por enquanto, o nome de Juvenal!!!

PS2: Os irmãozinhos adoraram ele!!! Vai dar certo!



Juvenal em sua primeira noite com a gente. A foto foi tirada antes de eu tirar esse "abajur" dele. Incomodava muito, tadinho! Ele tem até uma caminha agora.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um Natal inesquecível – parte II


Eu tive um Natal muito engraçado, para não dizer outra coisa. Eu devia ter de 6 para 7 anos, ou até menos... fiquei confusa com as datas agora...

A gente tinha uma árvore de Natal pequena, com poucas bolas e poucos enfeites. As bolas da árvore ainda eram feitas de vidro, ou seja, extremamente sensíveis.

Eu nunca levei muito jeito para a montagem da árvore (minha irmã Rejane sempre cuidava disso junto com minha mãe Terezinha). Tanto é que até hoje não sou adepta dos preparativos para o Natal... uma pena, por ser uma festa tão bonita!

Bom, mas aquele Natal aconteceu o seguinte: minha mãe e minha irmã montando a árvore, tudo muito lindo, enfeitado e tal, e eu num cantinho só observando. Os dias correram bem com tudo pronto assim para o grande dia.

Pois bem. O Natal estava se aproximando mas, dias antes, um dia de ventania assolou a nossa Vila Paulista. Nem saí para brincar aquele dia, o que era raro. Eu estava na sala vendo TV quando bateram palmas em frente a minha casa. Como não tinha campainha, tive que abrir a porta para ver quem era. Assim que abri a porta, a forte ventania logo levou nossa árvore para o chão, quebrando TODAS as bolas... foi triste.

A árvore, por menor e mais simples que seja, na minha opinião, é o grande símbolo do Natal depois do Papai Noel. Foi triste ver nosso Natal pouco decorado, sem nosso “símbolo maior”.

Para quem está se perguntando qual foi o meu castigo, eu digo. Não tive nenhum! Nunca fiquei de castigo pelo que me lembro, e nesse dia, em especial, minha mãe viu que não foi culpa minha e que, na verdade, a árvore estava montada bem no rumo da porta, ou seja, qualquer um que a abrisse poderia derrubar a árvore.

Hoje é engraçado lembrar disso, mas na hora isso doeu muito. Esta foi mais uma história de Natal, dos Natais que se foram e que não voltam mais. Saudades....

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O meu Natal inesquecível - Parte I



Demorei 2 dias para escrever este texto.

Minha família era de origem pobre. Meu pai, ferroviário, e minha mãe, manicure, tudo o que poderiam juntar era para o terreno que eles tinham acabado de comprar (onde a gente mora até hoje). Eram tempos difíceis, onde tudo que entrava era para a construção da nova casa.

Só fazendo um parênteses, a gente não passava por momentos tão difíceis quando eu nasci.  A gente ainda morava na casinha da Vila Paulista, mas as coisas já estavam melhores. A cozinha ainda era de zinco e cheia de furos (chovia muito dentro), mas meu irmão Rogério já trabalhava e dava um reforço na casa. Tudo tendia a melhorar.

Meu irmão, como algumas pessoas sabem, começou a trabalhar muito cedo. Ele tinha responsabilidades que um menino da idade dele nem sonhava em ter pois, além dos deveres do estudo, tinha que trabalhar e ganhar o dinheiro que ajudaria em casa. Sempre foi assim. A vida nunca foi fácil para nós e, em algumas ocasiões, nem guarda-chuva ele tinha para ir trabalhar. Bom, mas isso é outra história.

Como eu dizia, desde quando eu nasci, meu irmão já trabalhava. Isso porque a gente tem doze anos de diferença, ou seja, quando eu nasci, ele tinha 12 anos e já trabalhava. E foi logo depois disso, quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, que ganhei meu primeiro presente (pelo menos o que eu mais me lembro), o mais inesquecível de todos. Ganhei dele, e só dele (com o dinheiro que ele tinha juntado além do que ajudava em casa), uma Mônica, da Turma da Mônica, muito maior e mais pesada do que eu.

Toda linda, de vestido vermelho e dentes avantajados. Ela era muuuuito grande e pesava muito. Tinha uma cabeça enorme e maciça que, além de aumentar o peso, doía muito quando batia na minha.

No mesmo dia, no mesmo Natal, ganhei de minha mãe, dona Terezinha, uma boneca chamada Menininha. A menininha era mais leve, mas tão enorme quanto a Mônica. Loira, com roupas da moda e do meu tamanho, teve um “efeito” dentro de mim igual de quando eu vi a Mônica: me apaixonei!!!

Dois presentes lindos no mesmo Natal, o que mais eu poderia querer? Bem, eu queria era brincar com as duas, mas carregá-las era muito difícil. Se eu pegava uma, não conseguia brincar com a outra por causa do tamanho... hehehe... Eu sofri bastante e tive vários galos na cabeça... Bons tempos!

Como eu disse, eu morava na Vila Paulista e lá tinha vários amigos. A alegria dos Natais na Vila era sair no dia 26, logo que o sol nascia, para mostrar os brinquedos e agilizar as brincadeiras. Uns ganhavam bolas, outros bonecas, outros bicicletas, outros ganhavam outros brinquedos “da moda” que os pais, assim como os meus, passavam o ano todo pagando para poder ver, no dia de Natal, o sorriso de seus filhos. Me emociono só de lembrar. Lá não tinha facilidade ou brinquedo todos os dias, mas o Natal era uma data especial. Todo o sacrifício valia a pena para ver a alegria no rosto dos filhos, ou da irmã, como é também o meu caso.

Foi um Natal mágico! Inesquecível e cheio de significados que só fui entender depois de crescida. Aí vai o mais importante deles:

- Mais importante que o presente (ou o tamanho dele), é o que ele simboliza para você. Tenho essas bonecas guardadas até hoje, e nada me fará desfazer delas. Elas foram o primeiro sinal de luta da minha família e, principalmente, do meu irmão, que sempre foi um exemplo de luta para mim. Todo o esforço para esconder o presente durante quase um ano, pagando o carnê ainda, de uma criança que fuça em tudo, é uma boa maneira de fazer o Natal valer à pena e gerar expectativas. Os olhos de uma criança quando veem o seu presente aos pés da árvore, ou debaixo da cama (como era o meu caso), acho que não tem preço para quem quer agradar.

O Natal de “antigamente” nos ensina várias lições. A importância do presente (já que era ganhado apenas no Natal), a curiosidade de saber o que é, esperar acordar no dia 25 para ver o que é, compartilhar e acordar cedinho para ver e brincar com os amigos, não há dinheiro que pague. Quem dera ainda o Natal tivesse esse significado...
PS: Tenho várias histórias de Natal para contar aqui... Mas elas vão em pílulas... uma depois da outra... Acho que vocês vão gostar!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

7 anos de “O Jornal” – sob minha ótica



Há 7 anos, mais precisamente no dia 19 de dezembro, surgia nas bancas da cidade um jornal diferente. Hoje isso poderia passar despercebido, já que a cidade tem uma dezena de jornais, mas naquela época isso era diferente. A “informação” pertencia a apenas um, e esse determinava o que a população deveria ou não saber. Eram tempos sombrios...  
Surgia, então, o “O Jornal”, e ele aparentemente supriu uma necessidade da população que logo abraçou a causa e o acolheu de uma tal maneira que em pouco tempo o “jornal que nasceu morto” (como definiu o jornal que detinha o monopólio) tomou conta da cidade.

Eu diretamente não participei deste projeto desde o seu começo, mas, bem próxima, pude ver a garra e a vontade de fazer diferente de duas pessoas que idealizaram este projeto. José Luiz Alvarenga e Rogério de Carlos, os mentores, colocaram ideias, investimentos, perseverança, sonhos e ideais nesta mistura que hoje é o “O Jornal”, e isso contagiou as pessoas de bem desta cidade que puderam, enfim, conhecer a verdade da história e dos bastidores dos fatos que regem nossa cidade.

Me lembro que não foi um trabalho fácil. A começar pelo desafio de “quebrar” um monopólio, pois o jornal tradicional da cidade já beirava seus 80 anos, e reinava absoluto até então. E sem contar a dificuldade de conseguir apoiadores, patrocinadores, pessoas que acreditasse num projeto diferente do que a cidade estava acostumada a quase um século. Foram dias e noites varados, buscando o formato ideal junto com uma equipe extremamente reduzida, mas também empolgada com o novo, com a vontade de mudar a cara desta cidade tão querida.

Eu naquela época ainda cuidava da livraria da minha família, e posso dizer, a grosso modo, que foi o “O Jornal” que influenciou na minha decisão de permanecer em Bebedouro. Nossa livraria estava quase completando 20 anos e, com os projetos do “O Jornal” já iniciados, alguém precisava cuidar da loja. E foi assim que, juntamente com minha vontade e amor por Bebedouro, resolvi ficar por aqui. Mal eu sabia o que me esperava...

Há dois anos e meio nós decidimos vender nossa livraria e eu fui trabalhar no “O Jornal”. De início assumi funções administrativas como financeiro, departamento pessoal, organização (só lembrando que tenho formação de engenheira de alimentos, mas a parte administrativa sempre esteve presente em minha vida, mas daí é assunto pra outro post).

Trabalhar no “O Jornal”, para mim, é uma surpresa a cada dia. Acordo e não sei como meu dia vai terminar e as funções que vou executar. É estimulante, divertido, fiz amigos sinceros e hoje assumi funções que estavam fora do “meu quadrado”. Me vejo hoje desempenhando funções como de colunista social, justo eu, a mais tímida da turma!

Mas tem também seu lado “ruim”, digamos assim.  Por assumirmos algumas posturas em defesa da cidade, tivemos nossa vida devastada. E vida no geral, pois não só no financeiro nos afetaram. Nossa vida particular, nosso direito de ir e vir, algumas pessoas que conhecemos, enfim, nossa vida mudou de alguma forma. Mas também, de alguma forma, a cidade mudou, e isso nos enche de orgulho.

Comprarmos brigas homéricas, daquelas que só grandes meios de comunicação ou pessoas muito corajosas comprariam. Batemos de frente com diversos “Golias”, com “gente graúda”, com “figurões” da falida sociedade bebedourense (aqueles que ainda sonham com a volta do cabresto e dos coronéis), com aqueles que ainda acreditam que basta uma palavra sua para que a cidade abaixe a cabeça e faça a sua vontade. O resultado dessas “brigas” todo mundo sabe: processo, processo e mais processo em cima da gente.

Do fundo do coração, não existe mais nada a ser tirado de nós. Digo “nós” pois hoje, junto com minha irmã Rejane Caputo, faço parte do quadro societário do “O Jornal”. Não há mais nenhum bem material a ser tirado. O que podiam já levaram, infelizmente, mas como diz minha sogra “o que pode ser resolvido com dinheiro é mais fácil”. Temos saúde, graças a Deus, e muita força de vontade. Vamos levando a vida e tudo o que nos foi tirado de material um dia conquistaremos de novo. Nosso Deus e nossa fé são maiores que tudo isso.

Mas o que a gente conseguiu nesta cidade não tem volta: conseguimos fazer a população, mesmo quieta ainda, não indo para as ruas protestarem, acordar e perceber quem são as pessoas que dominam nossa cidade. Quem são os políticos, as pessoas que querem assumir o poder de mando na vida dos bebedourenses. Quem só busca levar vantagens com o cargo que ocupa e quem realmente está interessado em trazer melhorias para nossa cidade. Quem só quer posar de bom e quem tem propostas sérias para nossa cidade. Isso, meus amigos, não tem volta. Nunca mais a população será a mesma.

É claro que as coisas materiais nos fazem falta e nos trouxeram prejuízos, mas tenho muito orgulho de participar de um jornal que mudou a cara de uma cidade. É muito bom saber que presenciei, relatei e participei de fatos históricos de Bebedouro, e saber que o “O Jornal” tem sua parcela em muitos benefícios que a cidade teve.

E digo mais: temos apenas 7 anos, e estamos apenas no começo!

Sem falsa modéstia, eu penso: O que seria de Bebedouro sem o “O Jornal”? 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O desfecho de Michael Jackson II



Recebi alguns comentários sobre o post abaixo, o “O desfecho de Michael Jackson”. Resolvi fazer este post para não deixar dúvidas sobre o que eu realmente quis dizer.

Nunca, em nenhum momento do post, eu fui indelicada, grosseira ou desmereci MJ. Seu talento, carisma, poder e genialidade o deixa acima de tudo isso. Era rei e será rei para sempre. Gerações e gerações se lembrarão de MJ. Isso não vai mudar nunca.

Eu disse no blog que a mídia em geral sempre massacrou demais MJ. Tudo o que ele fazia virava notícia, e mesmo antes de termos os famosos “paparazzi”. Ele sempre foi notícia e “vendia muito jornal e revista”. Qualquer capa contendo MJ ou detalhes de sua vida (mesmo os inventados), virava sucesso de venda. Isso é fato.

Na sanha de vender mais e mais exemplares, a imprensa internacional pegou bastante pesado com ele, sim. Mas a sanha de seus fãs também ajudou para que isso acontecesse, afinal, se não acessassem sites, comprassem revistas e jornais que continham informações sobre o astro, não alimentariam essa indústria que se formou em torno dele. Isso é fato também, por mais que doa aos fãs.

Mas a questão principal do post anterior foi dizer o quão danoso pode ser para uma pessoa a falta dela se assumir. E a verdade era que MJ não se assumia.

Muito se falou sobre sua cor de pele, que foi clareando com o passar dos anos. Especulava-se vitiligo, mas ele, não que eu me lembre, nunca foi à público acabar com boatos. Nunca falou “sim, eu tenho” ou “não, é tudo mentira”. Acho que faltou isso, mas julgá-lo agora pode ser leviano. Afinal, com a vida conturbada que levou, cheio de curiosos e ávidos por qualquer passo dado por ele, era de se esperar que ele quisesse privacidade em alguns pontos da vida. Justo.

Muito se falou sobre as mudanças em seu rosto, sobre as inúmeras plásticas que fez. Na minha opinião, mais um ponto de pessoas que não se assumem e que sofrem com uma rejeição que na verdade só existe em suas cabeças.

Então, juntam-se as mudanças de tom de pele e as incontáveis plásticas e têm-se, claramente, a fisionomia de quem não se assume. O olhar triste de MJ, algumas atitudes intempestivas e seu isolamento também mostram isso. A própria infância de MJ, como ele mesmo disse em entrevistas, foi muito sofrida. Um pai extremamente enérgico, autoritário e violento e uma mãe impotente diante das situações também podem ter contribuído para isso.

Muito se falou sobre MJ, mas poucos sabem, também, o ser humano generoso que ele era. Por onde passava, dava um jeito de visitar um orfanato ou hospital e, caso não gostasse do que tinha visto (quase nunca gostava), sempre mandava ajuda financeira para melhorar as condições. Ia, visitava doentes, dava palavras de conforto a crianças carentes e fez belas campanhas pelo mundo sempre por boas causas. Guerras, fome, violência... sempre que podia ele estava lá, apoiando. Mas isso nem sempre dá audiência, não é mesmo?

Bom, só para finalizar, acho que o preconceito estava na cabeça dele, não no coração de seus milhões de fãs do mundo todo. Ele foi, é e sempre será rei, do jeitinho que ele era!

PS: Recebi um vídeo que conta um pouco sobre "O homem por trás do mito". É dividido em 2 partes e vale a pena assistir. Eu assisti 2 vezes cada um e adorei!